{"id":3627,"date":"2005-11-07T00:00:00","date_gmt":"2005-11-07T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.vibra-stop.com.br\/vm\/?p=3627"},"modified":"2005-11-07T00:00:00","modified_gmt":"2005-11-07T00:00:00","slug":"onde-ricos-e-pobres-se-encontram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vilamascote.com.br\/index.php\/noticias\/prefeitura\/3627\/onde-ricos-e-pobres-se-encontram","title":{"rendered":"Onde ricos e pobres se encontram"},"content":{"rendered":"<p>Jabaquara. <\/p>\n<p> A regi\u00e3o concentra 98 favelas e \u00e1reas nobil\u00edssimas, como a Vila Mascote, em que um apartamento pode custar um milh\u00e3o de d\u00f3lares. \u00c9 um microcosmo dos contrastes brasileiros delimitado em 14 quil\u00f4metros quadrados de subprefeitura, uma das menores de S\u00e3o Paulo. <\/p>\n<p> Sobre a cabe\u00e7a os avi\u00f5es, sob os p\u00e9s os trilhos da primeira esta\u00e7\u00e3o de metr\u00f4 constru\u00edda no munic\u00edpio, e contornando o bairro, vias expressas como a Washington Lu\u00eds, Bandeirantes, \u00c1gua Espraiada e Cupec\u00ea. Um distrito com facilidades de acesso como o Jabaquara fatalmente atrai muitos moradores. <\/p>\n<p> Como resultado, a regi\u00e3o concentra hoje 98 favelas e \u00e1reas nobil\u00edssimas, como a Vila Mascote, em que um apartamento pode custar um milh\u00e3o de d\u00f3lares. \u00c9 um microcosmo dos contrastes brasileiros delimitado em 14 quil\u00f4metros quadrados de subprefeitura, uma das menores de S\u00e3o Paulo. \u201c\u00c9 um miolo com acesso muito r\u00e1pido para qualquer lugar. Quem est\u00e1 pr\u00f3ximo a alguma dessas avenidas consegue ir com mais facilidade ao trabalho, pois o tr\u00e2nsito \u00e9 bem melhor. E a pessoas que moram em favelas n\u00e3o querem sair daqui, porque conseguem se locomover bem\u201d, analisa o diretor-superintendente da Associa\u00e7\u00e3o Comercial do bairro, Fernando Calder\u00f3n Alemany, 59 anos. <\/p>\n<p> Calder\u00f3n \u00e9 um simp\u00e1tico espanhol, da fala f\u00e1cil, representante de um dos grupos pioneiros no bairro. At\u00e9 a d\u00e9cada de 1940, o Jabaquara era basicamente composto por s\u00edtios e ch\u00e1caras, muitos deles tendo espanh\u00f3is como propriet\u00e1rios. A urbaniza\u00e7\u00e3o ocorreu na d\u00e9cada de 50, a partir da constru\u00e7\u00e3o do Aeroporto de Congonhas, em volta do qual cresceu a regi\u00e3o. A economia do bairro foi movida, no primeiro momento, pelo com\u00e9rcio e por f\u00e1bricas, que at\u00e9 hoje produzem semimanufaturados para grandes empresas, como lonas de barcos, pe\u00e7as para carro, confec\u00e7\u00f5es e perfis de alum\u00ednio. <\/p>\n<p> O com\u00e9rcio, situado em avenidas como a Santa Catarina e nas proximidades do metr\u00f4 Concei\u00e7\u00e3o, perdeu for\u00e7a nos \u00faltimos anos, segundo Calder\u00f3n por causa da dissemina\u00e7\u00e3o dos shoppings centers em bairros pr\u00f3ximos, como o Morumbi, Ibirapuera e Interlagos. Em compensa\u00e7\u00e3o, ganharam for\u00e7a os grandes col\u00e9gios, que atendem os moradores mais ricos. Os gastos da popula\u00e7\u00e3o mais abastada no bairro, entretanto, se resume a im\u00f3veis e aos col\u00e9gios. <\/p>\n<p> \u201cO empres\u00e1rio daqui n\u00e3o \u00e9 como o da zona leste, que investe e prestigia o bairro. Temos de tudo aqui, mas precisamos trazer o povo para o comercio do bairro\u201d, avalia Calder\u00f3n. E n\u00e3o s\u00f3 ele. Tanto assim que a representa\u00e7\u00e3o regional da Associa\u00e7\u00e3o Comercial procura costurar parcerias com as empresas instaladas na regi\u00e3o para estimular a compra no com\u00e9rcio local, oferecendo descontos aos clientes. <\/p>\n<p> Tamb\u00e9m nos idos de 40, Jabaquara ganhou um bairro de classe m\u00e9dia que teve como ilustre inaugurador o ent\u00e3o presidente Get\u00falio Vargas. Get\u00falio entregou aos moradores a primeira chave das 1000 casas constru\u00eddas com financiamento do governo federal, como resultado da mobiliza\u00e7\u00e3o do Sindicato dos Jornalistas em parceria com a sociedade dos funcion\u00e1rios do com\u00e9rcio local. O bairro, Cidade Vargas, transformou-se, assim, numa das poucas homenagens ao ditador em S\u00e3o Paulo, cidade que se levantou em armas contra seu governo em 1932. <\/p>\n<p> \u201c\u00c9 um dos poucos lugares de S\u00e3o Paulo que homenageia Get\u00falio por causa da Revolu\u00e7\u00e3o Constitucionalista de 32. Os paulistas n\u00e3o gostam muito dele\u201d, ressalta a presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Amigos da Cidade Vargas, Miriam Eboli Bock. <\/p>\n<p> As moradias e ruas agrad\u00e1veis, bem arborizadas e com pouco movimento de Cidade Vargas, preservam as caracter\u00edsticas do seu in\u00edcio e traduzem a qualidade de vida obtida por seus 5 mil moradores. \u201c\u00c0 custa de muita reivindica\u00e7\u00e3o\u201d, lembra Miriam. Cidade Vargas possui quatro escolas, posto de sa\u00fade, infra-estrutura completa, \u00e1rea de lazer e manuten\u00e7\u00e3o. A pr\u00f3pria sede da associa\u00e7\u00e3o funciona num clube onde sopra uma brisa vinda do Parque do Estado, situado defronte ao centro. Reivindicar, ali\u00e1s, \u00e9 uma palavra chave para Miriam, que acumula a fun\u00e7\u00e3o de presidente do Conseg (Conselho de Seguran\u00e7a) do Jabaquara. Nervo exposto hoje no Brasil, os \u00edndices de viol\u00eancia registraram, no distrito, 71 homic\u00eddios ao longo de 2003, segundo dados do PRO-AIM\/Secretaria Municipal de Sa\u00fade. Na semana que passou, um universit\u00e1rio foi morto a sangue frio por assaltantes que roubavam seu carro. <\/p>\n<p> \u201cA Pol\u00edcia nos diz que os \u00edndices de viol\u00eancia ca\u00edram. Mas a sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a cresceu\u201d, relativiza a presidente do Conselho. <\/p>\n<p> Na luta pela redu\u00e7\u00e3o da criminalidade, associada \u00e0 busca por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida aos moradores, os membros do Conseg deram in\u00edcio tamb\u00e9m ao movimento pela continuidade da Avenida \u00c1gua Espraiada, atual Avenida Jornalista Roberto Marinho, que far\u00e1 a liga\u00e7\u00e3o entre a Marginal Pinheiros e a Rodovia dos Imigrantes. <\/p>\n<p> As obras da \u00c1gua Espraiada estacionaram em uma das entradas do bairro. Para o projeto ter continuidade, as obras precisar\u00e3o colocar abaixo um posto de gasolina e parte das 98 favelas que ocupam a Jabaquara, onde residem mais de 24 mil moradores, em um contraste t\u00edpico do bairro. Se na Vila Mascote e no Santa Catarina existem apartamentos milion\u00e1rios, nas favelas ao lado est\u00e3o encravados cativeiros para onde seq\u00fcestradores levam suas v\u00edtimas abocanhadas em outros cantos da cidade. N\u00e3o \u00e0 toa, a pol\u00edcia faz ronda 24 horas em vielas suspeitas. <\/p>\n<p> Ilustra\u00e7\u00e3o tr\u00e1gica disso se deu em 1998, no Parque do Estado, antiga Favela do Caixote, para onde o motoboy Francisco de Assis Pereira, o Man\u00edaco do Parque, atra\u00eda suas v\u00edtimas. Pelo menos 10 mulheres foram assassinadas no parque, cuja \u00e1rea se expande por Jabaquara, Diadema e Ipiranga. Junte-se seq\u00fcestros ao tr\u00e1fico de drogas e t\u00eam-se as principais fontes de viol\u00eancia no distrito. <\/p>\n<p> Mas nas favelas moram principalmente trabalhadores, mulheres e crian\u00e7as com suas demandas espec\u00edficas. Na Vila Clara, a prefeitura est\u00e1 construindo uma UBS (Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade) para atender os seus moradores que, hoje, para obterem servi\u00e7os de sa\u00fade, precisam se dirigir a American\u00f3polis, bairro pr\u00f3ximo. Cerca de 70% da obra j\u00e1 foram realizados. <\/p>\n<p> No lazer, ocorre um interessante fen\u00f4meno no Clube Municipal Balne\u00e1rio Jalisco, situado na Vila Santa Catarina, onde freq\u00fcentadores abastados e carentes dividem o mesmo espa\u00e7o. \u00c9 bem verdade que essa divis\u00e3o \u00e9 relativa. Afinal, os de boa condi\u00e7\u00e3o financeira fazem sua gin\u00e1stica durante a semana, e os de menor renda enchem as piscinas aos s\u00e1bados e domingos. O processo de aproxima\u00e7\u00e3o tem sido gradual. \u201cAntes era bem definido quem fazia aula e quem usava o clube nos fins de semana. Hoje a gente j\u00e1 mescla mais, aos poucos vamos aproximando as pessoas, mas ainda se observa o contraste\u201d, comenta o coordenador de equipamentos, Jos\u00e9 Domingos da Silva, 47 anos. <\/p>\n<p> Nesse lapso entre os que t\u00eam acesso \u00e0s benesses da civiliza\u00e7\u00e3o moderna &#8211; sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, lazer, consumo &#8211; e os que vivem \u00e0 margem, florescem as entidades sociais. No Jabaquara, essas associa\u00e7\u00f5es t\u00eam um papel ativo no apoio aos mais necessitados. Pelo menos tr\u00eas delas acolhem quem precisa e realizam cursos de qualifica\u00e7\u00e3o para dar condi\u00e7\u00f5es de trabalho e renda \u00e0s fam\u00edlias. \u00c9 o caso do Camp (Centro de Aprendizagem e Monitoramento Profissional), conduzido h\u00e1 15 anos por membros do Rotary Jabaquara, que presta atendimento a 400 adolescentes de baixa renda, entre 16 e 18 anos, estudantes de ensino p\u00fablico. <\/p>\n<p> As atividades do centro visam inserir esses jovens no mercado de trabalho, por meio de cursos direcionados, como t\u00e9cnicas administrativas e comerciais, telemarketing, inform\u00e1tica focada em opera\u00e7\u00f5es de escrit\u00f3rio, ensinamentos sobre asseio e preserva\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os f\u00edsicos, refor\u00e7o de matem\u00e1tica e portugu\u00eas. A dire\u00e7\u00e3o do Camp tamb\u00e9m faz parcerias com empresas que desejem empregar jovens em postos como auxiliar de escrit\u00f3rio. <\/p>\n<p> \u201c\u00c9 bem legal. A gente aprende v\u00e1rias coisas para se preparar para o primeiro emprego\u201d, resume o aluno Carlos Alexandre Alves dos Santos, 16 anos. <\/p>\n<p> Outra entidade bastante atuante na regi\u00e3o \u00e9 a Abecal (Associa\u00e7\u00e3o Beneficente Caminho da Luz), que em apenas tr\u00eas anos conseguiu efici\u00eancia em seus programas e o direito de sediar a \u00fanica \u201cEsta\u00e7\u00e3o Digital\u201d da cidade de S\u00e3o Paulo. A esta\u00e7\u00e3o \u00e9 um projeto do Banco do Brasil que destina computadores a uma entidade em cada cidade do Brasil. Na Abecal, foram 15 microcomputadores, cujo n\u00famero pode ser ampliado para 50, assim que a associa\u00e7\u00e3o encontrar espa\u00e7o f\u00edsico para sua expans\u00e3o. Os investimentos alcan\u00e7aram R$ 60 mil e 386 alunos s\u00e3o beneficiados. <\/p>\n<p> Juntamente com a inform\u00e1tica, a entidade ministra cursos de corte e costura, culin\u00e1ria, pintura em tecido e l\u00ednguas. A Abecal administra ainda um albergue, que abriga 300 pessoas. O diretor presidente da entidade, Roberto Souza de Oliveira, 53 anos, utiliza a conhecida imagem sobre \u201cdar o peixe ou ensinar a pescar\u201d para explicar o papel da associa\u00e7\u00e3o. \u201cNo albergue damos o peixe, e nos cursos ensinamos a pescar\u201d, resume Oliveira, que \u00e9 sobrinho de Hebert de Souza, o Betinho, que impulsionou a campanha contra a fome no pa\u00eds. <\/p>\n<p> J\u00e1 a AME, atuando h\u00e1 31 anos no Jabaquara, administra uma creche para 123 crian\u00e7as de 2 a 6 anos e ministra, num pr\u00e9dio anexo, aulas de refor\u00e7o para 100 adolescentes de 6 a 13 anos. Tamb\u00e9m presta cursos para gestantes e culin\u00e1ria ao p\u00fablico feminino e ganhou o Pr\u00eamio Bem Eficiente 2005, concedido pela Kanitz e Associados. \u201cO nosso carro chefe \u00e9 a crian\u00e7a e o adolescente, mas tamb\u00e9m trabalhamos com a mulher adulta para ela melhorar a renda\u201d, ressalta a presidente Arlete Lopes Meireles, 52 anos.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=http:\/\/www.prefeitura.sp.gov.br\/portal\/a_cidade\/noticias\/index.php?p=2072 target=_blank>Prefeitura de S\u00e3o Paulo<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jabaquara. A regi\u00e3o concentra 98 favelas e \u00e1reas nobil\u00edssimas, como a Vila Mascote, em que um apartamento pode custar um milh\u00e3o de d\u00f3lares. \u00c9 um microcosmo dos contrastes brasileiros delimitado em 14 quil\u00f4metros quadrados de subprefeitura, uma das menores de S\u00e3o Paulo. 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